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sábado, 19 de março de 2016

Culto a São José

 Segundo a tradição católica, celebra-se a festa de São Jose já no século IV, no templo que Santa Helena, mãe do imperador Constantino, mandou construir no lugar do Presépio de Belém, na capela dedicada a São José que existe ainda hoje naquele lugar, dentro da Basílica da Natividade em Belém. Há também tradições do século V de festa comemorando a fuga da Sagrada Família para o Egito. O nome de São Jose aparece pela primeira vez mencionada em 19 de março nos martirológios de Reims. Pela primeira vez esta festa foi celebrada pelos beneditinos de Abadia de Winchester no ano 1030. O Papa Bento XIV afirma que em 1124 em Bolonha, na Itália, se comemorava solenemente a festa de São José. No século XV, Gerson, o grande teólogo chanceler da universidade de Sorbone, pediu no Concílio de Constança (1417) uma festa em honra de São José e Maria. Em 1621 o Papa Gregório XV incluiu a festa entre as de preceito. Em 1651 a festa foi fixada em 19 de março. (GPSJ, p. 106)
São José recebe um culto especial da Igreja (prot-dulia); duas festas lhe são celebradas: 19 de março – Esposo da Virgem Maria; e 1º de maio – São José Operário. A festa de 19 de março normalmente cai no meio da Quaresma, então, a Igreja, abre neste dia uma exceção litúrgica e celebra com paramentos brancos a festa do glorioso pai de Jesus Cristo. É um dia da Quaresma que a Igreja retira o roxo.
A Igreja, antes de canonizar um Santo, faz um longo e cuidadoso exame de sua vida, e exige provas evidentes de sua santidade. Não faltam, porém, Santos constituindo exceção a essa regra, entre os quais São José.
“José era um homem justo”. Estas palavras encerram o exame, as provas e todo o processo de canonização. De fato, como os escritos dos Evangelistas são palavras de Deus, segue-se que José foi proclamado justo, isto é, santo, pelo próprio Deus.
A Igreja, para assegurar os fiéis a respeito de sua santidade, não fez mais que repetir-lhes as palavras inspiradas por Deus a São Mateus. A Igreja o fez desde os primeiros anos de sua existência; ao ler e explicar o Evangelho, porém, durante oitocentos anos aproximadamente, limitou-se ao que escrevera a seu respeito e não propunha publicamente a admiração e veneração dos cristãos, nem com festas, nem com funções solenes, nem com livros, como atualmente.
Naqueles tempos, a Igreja visava, antes de tudo, estabelecer profundamente na alma dos fiéis a fé em Cristo e propaga-la entre os hebreus e gentios. Por isso, devia insistir sobretudo nas verdades fundamentais da fé, esperando tempos mais adequados e tranquilos para as partes integrantes e acessórias.
Além disso, a Igreja devia manifestar Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Estas verdades eram negadas por alguns hereges, ensinando que Jesus Cristo era um simples homem, nascido de Mara como todos os outros homens. Em tais circunstâncias, se a Igreja propusesse São José como Esposo de Maria e Pai adotivo de Jesus Cristo, os pagãos não teriam percebido tudo quanto ensina a fé a esse respeito; os próprios cristãos recém-convertidos não teriam compreendido bem como o Santo não é pai natural de Jesus, mas somente pai adotivo.
Antes de promover amplamente o culto a São José, a Igreja precisou lutar durante cerca de oitocentos anos para vencer as terríveis heresias que ameaçavam o conteúdo da fé deixada por Cristo; o que São Paulo chamava de a “sã doutrina da fé”. Umas heresias negavam o dogma da Santíssima Trindade (adocionismo, monarquianismo, patripassionismo), outras negavam a divindade de Jesus (arianismo), a divindade do Espírito Santo (macedonismo); negavam que Jesus fosse homem verdadeiro (monofisismo), que tivesse encarnado de verdade (docetismo), que tinha uma vontade humana (monoteletismo), etc. Enquanto esse mar agitado por falsos profetas e hereges não foi acalmado, a Igreja não pôde falar de devoção de São José e de outras importantes.
Mas se não existia naqueles tempos o culto público a São José, reinava, porém, no coração dos cristãos um culto privado. O Evangelho falava então do Santo Patriarca como atualmente. Muitos Padres e Doutores, entre os quais São João Crisóstomo, Santo Epifânio, São João Damasceno, Santo Ambrósio, São Jerônimo e Santo Agostinho, exaltaram as suas virtudes, e em especial a justiça, a virgindade e a paternidade espiritual em relação a Jesus. E os cristãos reverentes à doutrina do Evangelho e dóceis às exortações dos Padres, invocavam e honravam São José em suas casas.
Encontrou-se no Oriente uma preciosa gema, atribuída ao primeiro século, com a inscrição: “São José, assisti-me nos trabalhos e alcançai-me a graça”. Também nas Catacumbas de Roma, em algumas Igrejas antigas e casas particulares, foram descobertas imagens atribuídas aos primeiros séculos honravam privadamente a São José; o culto privado precedeu ao público.
Apenas consolidada a fé com o testemunho do sangue dos mártires, com os escritos dos Padres e Doutores, com a prova dos milagres e o magistério infalível da Igreja. Não tardaram os Papas a promover, com grande solicitude, o culto público a São José, instituindo festas em sua honra, aprovando práticas devotas para invocar lhe a proteção e enriquecendo-as com recorrerem com frequência a esse grande Santo.
A primeira festa de São José era celebrada, a princípio, somente na Igreja Grega, e estava fixada em 20 de julho. O Papa Xisto IV, em (1471-1484), incluiu-a no Breviário e no Missal, 19 de março. Julga-se ter sido este o dia da morte de São José.
Depois outros Papas ocuparam-se desta festa: Inocêncio VIII (1484-1492) elevou-lhe o Ofício a rito duplo; Gregório XV (1621-1623) estendeu-a a toda a cristandade e declarou o dia em que cai (19 de março) festa de preceito; Clemente X, em 1670, elevou- a rito duplo de segunda classe e compôs ele próprio o Hino “Te Joseph celebrent”, que se canta nas Vésperas.
Em 1714, Clemente XI recompôs todo o Ofício dessa festa: Ofício e Missa próprios de São José; e, finalmente, Pio IX, em 1870, elevou o Ofício a rito duplo de primeira classe.
Mas não parou aí o cuidado da Igreja em festejar dignamente o Pai de Jesus e Esposo de Maria. Paulo III (1534-2549) acrescentou à Festa de São José, a de seus “Esponsais de Maria”, festa que era celebrada a 23 de janeiro e depois estendida a toda a Igreja por Bento XIII em 1725.
A essas duas festas, acrescentou-se uma terceira chamada do “Patrocínio de São José”; festa que, introduzida na Igreja em fins do século XVIII, foi elevada a rito duplo de segunda classe, em 1741, por Bento XIV (1740-1758), e estendida a toda a Igreja em 1847 por Pio IX. Enfim, em 1956, o Papa Pio XII (1939-1958) instituiu a festa de São José Operário, a ser celebrada em rito duplo de primeira classe no dia 1º de maio, Dia Universal do Trabalho.
No culto público dos Santos, além das Missas, existem as práticas de devoção que a Igreja institui ou aprova para invocá-los em nossas necessidades. Ora, a respeito de São José, a Igreja fez o que já fizera para com a Virgem Santíssima. A Maria foi dedicado o dia de sábado e o mês de maio, por isso chamados dia e mês de Maria. Também a São José se dedicaram a quarta-feira e o mês de março, que se chamam dia e mês de São José. Desde o século XVII os fiéis costumam dedicar a São José as quartas-feiras. Essa prática nasceu num convento beneditino de Châlons e espalhou-se rapidamente pelo mundo todo católico.
As mesmas indulgências, concedidas pela Igreja a quem fazia com as devidas disposições o mês de Maria, eram concedidas a quem fazia o mês de São José. Em 1967 o Papa Paulo VI atualizou as indulgencias e alterou algumas formas de obtê-las na “Constituição Apostólica sobre as Indulgências”. 
Da mesma forma que há uma devoção especial: “Às sete dores e aos sete gozos de Maria”, há também uma devoção especial “Às sete dores e aos sete gozos de São José”.
A Igreja não quer que seja separado o doce nome de José dos de Jesus e Maria, quer portanto que se diga nas invocações: Jesus, José e Maria.
Para São José, da mesma forma que para Maria, existem rosários, coroinhas ladainhas, orações, jaculatórias, hinos, a fim de honrá-Lo e invocá-Lo.
A Igreja honra Maria com um culto especial (hiper dulia), de ordem superior ao culto dado aos outros Santos; e a São José, embora não tenha decretado isso, tributam todos os fiéis o culto de “proto-dulia”, ou seja, honram-no como o maior, o primeiro entre os Santos, depois de Maria.
A Igreja teve, portanto, extremo cuidado para que São José fosse honrado como convém. A Divina Providência lhes unira os nomes e destinos e a Igreja, seguindo o exemplo da Providência, uniu-os nos lábios e no coração de seus fiéis, unindo-os em muitas práticas de piedade.
Há um axioma que diz: “Glória sanctorum imitativo eorum” (A glória dos santos está na imitação de suas virtudes).
Na missa do Patrocínio de São José se reza: “De qualquer tribulação que clamem a mim ouvir-lhes-ei, dar-lhes-ei sempre a minha proteção”.
São José é o chefe da Sagrada Família e intercessor de todas as famílias cristãs; é o Patrono dos operários e trabalhadores, é o Patrono Universal da Igreja e protetor do Corpo Místico de Cristo e o Padroeiro da boa morte e das almas atribuladas.
Quando os egípcios carentes de alimentos imploravam ao Faraó que lhes desse comida, este dizia-lhes: “Ide a José”. Hoje, quando os povos são invadidos de novo por um neopaganismo que nega a Deus e seu Cristo, abandona a Igreja e a ataca; quando o sensualismo toma conta das mentes e dos meios de comunicação; e as misérias humanas afloram em toda parte, a Igreja, mais ainda, continua a dizer: “Ide a São José!”.
Trecho retirado do livro: O Glorioso São José, Editora Cléofas.
Original: http://cleofas.com.br/o-culto-a-sao-jose/
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Oração a São José pela Santa Igreja

 Bem-aventurado São José, a Vós recorremos na nossa tribulação, e tendo implorado o socorro de vossa santíssima Esposa, cheios de confiança, solicitamos o vosso patrocínio. Por aquela caridade, que Vos ligou com a Imaculada Virgem Mãe de Deus, e pelo amor paternal, com que estreitastes em vossos braços o Menino Jesus, suplicantes Vos rogamos, que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo adquiriu com o seu Sangue, e nos socorres nas nossas necessidades com vosso auxílio e poder.
 Amparai , ó guarda providentíssimo da divina Família, a linhagem escolhida de Jesus Cristo; afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, todo contagio de erros e corrupções; assisti-nos do alto do céu, ó libertador nosso fortíssimo, na presente luta contra o poder das trevas; e assim como outrora livrastes do supremo risco de vida o Menino Jesus, assim defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas dos seus inimigos e contra as adversidades; e a cada um de nós amparai com vosso perpetuo patrocínio, para que, a exemplo vosso, e ajudados com o apoio de vosso auxílio, possamos viver santamente, piedosamente morrer e alcançar no céu a eterna bem-aventurança. Amém. 
Fonte: Manual de Orações e Exercícios Piedosos Adoremus- pag 202 Por: D. Frei Eduardo José Herberhold O.F.M  (Reimprantur: 6 de Agosto de 1928- Mons. Castro)


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Especial São José

Homem que agradou a Deus

Não é sem razão que a Igreja, no meio da Quaresma, tira o roxo no dia 19 de março e coloca o branco na liturgia, para celebrar a festa de São José, esposo da Virgem Maria. Entre todos os homens do seu tempo, Deus escolheu o glorioso São José para ser pai adotivo de seu Filho divino e humanado. E Jesus lhe era submisso, como mostra São Lucas.
Santo Gertrudes (1256-1302), um grande místico da Saxônia, afirmou que “viu os Anjos inclinarem a cabeça quando no céu pronunciavam o nome de São José”.
Santa Teresa de Ávila (1515-1582), a primeira doutora da Igreja, a reformadora do Carmelo, disse: “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”. E declarava que em todas as suas festas lhe fazia um pedido e que nunca deixou de ser atendida. Ensinava ainda que cada santo nos socorre em uma determinada necessidade, mas que São José nos socorre em todas.
O Evangelho fala pouco de sua vida, mas o exalta por ter vivido segundo “a obediência da fé” (cf. Rm 1,5). Deus nos dá a graça para viver pela fé (cf. Rm, 5,1.2; Hb 10,38) em todas as circunstâncias. São José, um homem humilde e justo, “viveu pela fé”, sem a qual “é impossível agradar a Deus” (cf. Hab 2,3; Rm 1,17; Hb 11,6).
O grande doutor da Igreja Santo Agostinho compara os outros santos às estrelas, e São José ele o compara ao Sol. A esse grande santo Deus confiou Suas riquezas: Jesus e a Virgem Maria. Por isso, o Papa Pio IX, em 1870,  declarou São José Padroeiro da Igreja Universal com o decreto “Quemadmodum Deus”. Leão XIII, na Encíclica “Quanquam Pluries”, propôs que ele fosse tido como “advogado dos lares cristãos”. Pio XII o declarou como “exemplo para todos os trabalhadores” e fixou o dia 1º de maio como festa ao José Trabalhador.
São José foi pai verdadeiro de Jesus, não pela carne, mas pelo coração; protegeu o Menino das mãos assassinas de Herodes o Grande, e ensinou-lhe o caminho do trabalho. O Senhor não se envergonhou de ser chamado “filho do carpinteiro”. Naquela rude carpintaria de Nazaré Ele trabalhou até iniciar Sua vida pública, mostrando-nos que o trabalho é redentor.
Na história da salvação coube a São José dar a Jesus um nome, fazendo-O descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas. A José coube a honra e a glória de dar o nome a Jesus na Sua circuncisão. O Anjo disse-lhe: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

A vida exemplar desse grande santo da Igreja é exemplo para todos nós. Num tempo de crise de autoridade paterna, na qual os pais já não conseguem “conquistar seus filhos” e fazerem-se obedecer, o exemplo do Menino Jesus submisso a seu pai torna-se urgente. Isso mostra-nos a enorme importância do pai na vida dos filhos. Se o Filho de Deus quis ter um pai, ao menos adotivo, neste mundo, o que dizer de muitos filhos que crescem sem o genitor? O que dizer de tantos “filhos órfãos de pais vivos” que existem no Brasil, como nos disse aqui mesmo em 1997 o Papa João Paulo II? São José é o modelo de pai presente e atencioso, de esposo amoroso e fiel.
Celebrar a festa de São José é lembrar que a família é fundamental para a sociedade e que não pode ser destruída pelas falsas noções de  família, “caricaturas de família”, que nada têm a ver com o que Deus quer. É lutar para resgatar a família segundo a vontade e o coração de Deus. Em todos os tempos difíceis os Papas pediram aos fiéis que recorressem a São José; hoje, mais do que nunca é preciso clamar: “São José, valei-nos!” Ao falar desse santo, o Papa João Paulo II, na  exortação apostólica “Redemptoris Custos” (o protetor do Redentor), de 15 de agosto de 1989, declarou: “Assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja” (nº1). “Hoje ainda temos motivos que perduram, para recomendar todos e cada um dos homens a São José (nº 31).
Celebrar a festa de São José é celebrar a vitória da fé e da obediência sobre a rebeldia e a descrença que hoje invadem os lares, a sociedade e até a Igreja. O homem moderno quer liberdade; “é proibido proibir!”; e, nesta loucura lança a humanidade no caos.
São José, tal como a Virgem Maria, com o seu “sim” a Deus, no meio da noite, preparou a chegada do Salvador. Deus Pai contou com ele e não foi decepcionado. Que o Altíssimo possa contar também conosco! Cada um de nós também tem uma missão a cumprir no plano divino. E o mais importante é dizer “sim” a Deus como São José. “Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado” (Mt 1,24).
Celebrar a festa de São José é celebrar a santidade, a espiritualidade, o silêncio profundo e fértil. O pai adotivo de Jesus entrou mudo e saiu calado, mas nos deixou o Salvador pronto para começar a Sua missão. É como alguém destacou: “O servo que faz muito sem dizer nada; o especial agente secreto de Deus”. Ele é o mestre da oração e da contemplação, da obediência e da fé. Com ele aprendemos a amar a Deus e ao próximo.
São José viveu o que ensinou João Batista: “É preciso que Ele [Jesus] cresça e eu diminua” (Jo 3,30). 
Por: Prof. Felipe Aquino
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